A exposição Geografia Líquida propõe um olhar sensível sobre o Douro, convocando três artistas cujos trabalhos exploram a relação entre o rio e a paisagem. Fernanda Fragateiro, Duarte Belo e Filipa Leal reinterpretam este território, transformando-o numa paisagem fluida, oral e conceptual. Organizado pelo CIM Douro - Comunidade Intermunicipal do Douro, o projeto celebra a força e a fragilidade do rio Douro, evocando a sua ancestralidade e projetando-o como um espaço de possibilidades, onde a arte serve como um canal de diálogo entre o passado e o futuro.
Inspirada pela tradição da produção de seda em Freixo de Espada à Cinta, Fernanda Fragateiro apresenta uma escultura-instalação composta por fios de seda tingidos com pigmentos naturais extraídos de espécies vegetais autóctones da região. Esta obra dá continuidade à sua colaboração com o Museu da Seda e do Território, resgatando saberes ancestrais para a criação contemporânea. O seu trabalho, reconhecido internacionalmente, explora a interseção entre escultura e arquitetura, desafiando a perceção do espaço e a experiência do observador.
A série de fotografias de Duarte Belo propõe uma cartografia visual do Douro construída ao longo de três décadas. O seu olhar captura um território simultaneamente intemporal e em constante transformação, revelando a beleza singular da região e a sua complexidade geográfica. As imagens, que transitam entre o preto e branco e a cor, ampliam a perceção do Douro como um ecossistema dinâmico, onde rio, montanha e socalcos dialogam em perfeita sintonia.
Na poesia de Filipa Leal, o Douro surge como uma presença íntima e incontornável. Para esta exposição, a poeta construiu uma série de haikus que habitam o espaço expositivo em português, inglês e japonês, ligando simbolicamente o rio ao oceano que se vislumbra do Pavilhão de Portugal em Osaka. Complementando a exposição, Geografia Líquida inclui ainda uma performance musical de Fernando Mota, onde instrumentos e objetos sonoros construídos a partir de elementos naturais evocam a água como símbolo de transformação e renovação.